O total de dinheiro “esquecido” em bancos e outras instituições financeiras alcançou R$ 5,65 bilhões em julho, conforme dados divulgados pelo Banco Central (BC) nesta terça-feira (8). Esse valor representa um aumento em relação aos R$ 5,12 bilhões registrados em junho.
Dessa quantia, R$ 4,25 bilhões pertencem a 23,57 milhões de pessoas físicas, enquanto R$ 1,40 bilhão pode ser resgatado por aproximadamente 2,19 milhões de empresas.
Os recursos podem ser consultados gratuitamente pelo Sistema de Valores a Receber (SVR), um serviço do Banco Central que permite localizar valores deixados em bancos, administradoras de consórcios, cooperativas, instituições de pagamento e outras empresas do sistema financeiro.
Maioria recebe pouco
Apesar do montante bilionário disponível, a maior parte dos beneficiários possui valores relativamente baixos para resgatar.
De acordo com o Banco Central:
- Bolsa Família tem aumento de 15%; nova medida entra em vigor em outubro.
- Entidades industriais e trabalhistas avaliam redução contida da Selic.
- Brasil implementa política para aumentar a produção de minerais críticos
- Banco Central diminui taxa Selic para 13,75% ao ano
- Petrobras alcança a maior margem de lucro entre as principais petroleiras do mundo.
• 69,45% têm entre R$ 0,01 e R$ 10;
• 18,97% têm entre R$ 10,01 e R$ 100;
• 9,35% têm entre R$ 100,01 e R$ 1 mil;
• apenas 2,22% têm mais de R$ 1 mil.
Os valores podem ter diferentes origens, como contas encerradas com saldo, tarifas cobradas indevidamente, recursos de consórcios encerrados e cotas de cooperativas de crédito.
Onde estão
Os bancos concentram a maior parte dos recursos ainda disponíveis, seguidos pelas administradoras de consórcios e cooperativas.
A distribuição do dinheiro é a seguinte:
• Bancos: R$ 2,38 bilhões;
• Administradoras de consórcio: R$ 1,96 bilhão;
• Cooperativas: R$ 762,7 milhões;
• Instituições de pagamento: R$ 353,4 milhões;
• Financeiras: R$ 114,6 milhões;
• Corretoras e distribuidoras: R$ 69,4 milhões;
• Outras instituições: R$ 4,5 milhões.
Total devolvido
Desde a implementação do Sistema de Valores a Receber, o Banco Central já devolveu mais de R$ 16 bilhões aos titulares.
Até julho, cerca de R$ 11,9 bilhões foram destinados a pessoas físicas e aproximadamente R$ 4,2 bilhões a empresas.
Considerando os valores já devolvidos e o estoque que continua disponível, o sistema identificou cerca de R$ 21,8 bilhões em recursos a receber.
Em julho, cerca de R$ 323 milhões foram resgatados.
Remanejamento para Desenrola
Parte dos recursos disponíveis no sistema foi utilizada pelo governo federal para programas de renegociação de dívidas.
Valores cujo direitos foram repassados à União foram destinados ao Fundo Garantidor de Operações (FGO), utilizado para viabilizar garantias em programas como o Desenrola.
A movimentação desses recursos contribuiu para a redução do estoque disponível nos meses anteriores. Em julho, porém, o montante voltou a subir.
Como consultar
A consulta pode ser feita gratuitamente no Sistema de Valores a Receber do Banco Central. Na consulta inicial, o cidadão deve informar o Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) e a data de nascimento. As empresas devem utilizar o Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) e os dados requisitados pelo sistema.
Se houver valores disponíveis, é necessário acessar o sistema com uma conta Gov.br de nível prata ou ouro para solicitar o resgate.
Procedimentos para o correntista:
• Acessar o Sistema de Valores a Receber;
• Informar CPF e data de nascimento ou CNPJ;
• Consultar a existência de valores;
• Entrar no sistema com uma conta Gov.br de nível prata ou ouro;
• Ler e aceitar o termo de responsabilidade;
• Conferir o valor e a instituição responsável pela devolução;
• Solicitar o pagamento conforme as opções apresentadas.
Quando disponível a opção “Solicitar por aqui”, o dinheiro pode ser devolvido por Pix. Para quem não possui Pix ou não pode utilizar essa modalidade, o sistema oferece a alternativa de entrar em contato diretamente com a instituição financeira.
Resgate automático
Desde maio de 2025, pessoas físicas também podem habilitar a solicitação automática de devolução de valores a receber.
A adesão é opcional. Para utilizar essa funcionalidade, é necessário ter uma conta Gov.br de nível prata ou ouro, com a verificação em duas etapas ativada, além de uma chave Pix vinculada ao CPF.
Com a função habilitada, os valores elegíveis são depositados automaticamente na conta cadastrada, sem a necessidade de uma nova requisição a cada recurso identificado.
Atenção aos golpes
O Banco Central alerta que o serviço é gratuito e que a consulta deve ser feita exclusivamente pelos canais oficiais.
O BC não envia links e não entra em contato para solicitar dados pessoais ou senhas relacionadas aos valores a receber. O cidadão também não deve fazer pagamentos para liberar o dinheiro.
Entre as principais recomendações estão:
• não clicar em links recebidos por SMS, WhatsApp, Telegram ou e-mail;
• não fornecer senhas ou códigos de autenticação;
• não pagar taxas para receber os valores;
• conferir a instituição responsável diretamente no SVR;
• utilizar somente os canais oficiais do Banco Central.
O sistema também permite consultar valores de pessoas falecidas. Nesse caso, o acesso é restrito a herdeiros, testamentários, inventariantes ou representantes legais, que devem cumprir as exigências previstas pelo sistema.
Fonte: Agência Brasil

